Convidada: Cristiane Barbosa, em “Um domingo em Bangu”
Olá, galera do “EU NO GRAMADO”! Como vão todos? Há muito tempo que não escrevo nada neste espaço. É… A vida profissional me levou para outros caminhos e não para os campos de futebol. Sabe lá, um dia, eu volte a colocar minhas histórias (loucas) sobre a vida de um repórter esportivo. Para quem quer saber o que estou fazendo no momento, vai aqui uma dica. Escutem a rádio Sulamérica Paradiso FM 95,7, no horário de 16:20 às 18:40, e saibam das melhores informações do trânsito com uma pitadinha de bom humor e conhecimento para deixar a vida dos motoristas um pouco mais agradável nos engarrafamentos da cidade.
Bem… Mas vamos ao que interessa aqui: boas histórias. E aqui vai uma! Minha grande amiga Cristiane Barbora escreveu um conto, que jura não ter acontecido com ela. As informações foram passadas por uma amiga dela, que também fez questão de alterar os nomes dos envolvidos para preservá-los de um constrangimento. Então, confira aí esse hilariante comédia numa tarde na Zona Oeste do Rio!

UM DOMINGO EM BANGU
Olá galera! Hoje estou aqui para contar o que vivi no último domingo, dia 27/09/09, em Bangu. Para vocês entenderem, nossa batalha começou bem antes desse dia, quando minha irmã, Eliane, recebeu o convite de casamento da Cris. Ao abrir vimos que o evento aconteceria nesse adorável bairro. Desde desse dia já começou a saga para ver como iríamos chegar. Minha irmã, lembrou-se da Aline, amiga dela que já morou em Bangu. Então, resolveu pedir informação de como se chegava no lugar. Mas antes, ela tentou arrumar uma carona com o Alex e a Ana, mas como esse casal acabara de ter uma neném, eles não iriam ao casamento. Só sei que no dia, a Eliane já estava com um mapinha em mãos de como se chegava em Bangu. Eu, na verdade não queria ir, estava pensando em gastar meu tempo com algo mais prazeroso, se é que vocês me entendem…rs. Mas como o adorável namorado dela não iria, ele não estava no Rio, e mesmo se estivesse ele também não iria, porque ele é o típico tijucano que só sai do seu bairro para ir pra Barra (ECA!! Eu odeio a Barra!!), ele também não gosta de pobres (não sou assim, diga-se de passagem) e nem de se misturar. Bom, minha irmã não ia de taxi, porque simplesmente iria dar por volta de 70 reais só a ida!! E a volta, bandeira 2, já que o casamento era às 16h. Então, ela teve uma idéia genial: como meu pai já trabalhou muitos anos pela zona oeste e é legítimo conhecedor dos bairros dessa região, ele e minha mãe iriam com a gente e enquanto ficávamos no casamento, eles ficariam no shopping Bangu!!!!! Olha que legal!!!!!! Quando soube disso, pensei: poxa que ótimo, vamos nos perder na certa! Porque ficar perdida com meu pai e ele não ligar o pisca-alerta, ficar parado no meio da pista, é coisa fácil de acontecer… Me lembro da última vez que fomos a Petrópolis ( e olha que é aqui do lado…) nos perdemos 3 vezes!!! Pois é, podem acreditar…
Eu só resolvi ir na última hora, quis fazer uma média com a família. Resolvi ver pelo lado bom, domingo à tarde, em Bangu, deve rolar um sambinha! (Eu adoro de paixão!) E ainda comentei com a Eliane: se não rolar um samba, vou ficar profundamente decepcionada. E ela ainda completou: deve ter um feijão também! Pensei: Oba! Nesse dia fez um dia lindíssimo, então subi da minha piscininha, tomei banho, almocei e fomos para o nosso destino. Minha irmã queria sair cedo, já que não conhecíamos o lugar. A Cris disse pra ela que iria atrasar só 20 minutos. Pensei: ah, beleza!
No carro, meu pai disse: se preparem que é chão até lá… Nada pode ser mais longe do que Vargem Pequena. Vocês já foram pra Vargem Pequena? Não? Então, nem queira ir!! Dá mais de uma hora de carro, da minha casa, na Tijuca até esse infeliz lugar. Passa Barra, passa Recreio, passa Vargem Grande e só depois Vargem Pequena. Uma merda de lugar, onde não tem nada, só fábrica de laboratório farmacêutico e o haras Pegasus, onde foi gravado cenas de Laços de Família. Na moral, não sei como as pessoas conseguem morar tão mal! Longe de tudo e dependente de carro pra sair de casa! Bom, voltando ao assunto, chegamos exatamente 16:02 no Jardim do Casarão, lugar onde ocorreu o casamento. Na porta, o rapaz nos informou nossa mesa, número 13. Sorte ou azar? Azar com certeza! Zagallo, o 13 não está com nada! Porque simplesmente, nossa mesa ficava localizada dentro do salão refrigerado com o ar condicionado todo para a nossa mesa!!! Vocês podem imaginar a mulherada toda de vestido de alcinha tiritando de frio!!! Uma delas disse: ah, realmente a Cris falou que íamos ficar nessa mesa, porque o Alex (lembram dele, no inicio do texto?) sente muito calor… Poxa, que coisa maravilhosa, o Alex não vem e nós somos obrigados a sentir frio… Minha irmã foi falar com um rapaz da casa. Ele mexeu no ar, mas não adiantou nada. Então, já que não podíamos mudar de mesa, porque era marcada, fui me instalar na parte de fora, porque se não era dor de garganta na certa….
Passou 16:30, 16:40 e nada da noiva chegar… Todos da minha mesa já famintos e os garçons só servindo água!!!!!! Depois, Eliane me atentou para a mesa onde tinham vários camarões pendurados!! Eu, jornalista e cara de pau, proveniente da profissão, pensei, com a minha classe: “chego ali na mocinha que recebia os convidados e pergunto a ela se eu poderia me servir, afinal ela estava de frente para essa mesa…” Quando dou os primeiros passos, vejo que uma criança se aproxima da mesa com os dedinhos quase no camarão e a mocinha fez um ar de não com a cabeça e não deixou a criança comer. Depois disso, dei meia volta e nem me dei o trabalho de ir até lá.
Enfim, a noiva só chegou 17h e vi o exato momento em que entrou, às 17:07!! No convite estava escrito: traje esporte fino. Vocês acreditam que tinham vários vagabundos de calça jeans???? Na moral, é avacalhar muito o casamento dos outros!!!! A cerimônia não demorou muito. Foi uns quarenta minutos mais ou menos. Adivinhe qual foi a musica de entrada dos noivos? Pasme: “Alma Gêmea”, do Fábio Júnior, muito brega! A decoração do lugar estava arrumadinha, só não gostei do prato do jantar (não fiquei até essa hora), porque era de metal e ficavam marcadas as impressões digitais de quem o manuseava. Também não gostei da rosa que levavam os padrinhos e o noivo, no lugar do cravo. Achei cafona.
Bom, depois disso, como a nossa mesa era uma das últimas (mais um motivo porque o numero 13 não está com nada), fomos uma das últimas a ser servidas. Por volta, das 18:30h (todos famintos) é que nos serviram uma cestinha com pãezinhos, uma pequena tábua com os frios cortados em cubinhos e uma garrafa de vinho branco. Foi uma disputa acirrada para comer e em poucos minutos todos devoraram os pãezinhos e palitinhos. Detalhe: a bisnaguinha estava dura!
Bom, depois de um bom tempo conseguimos falar com a noiva. Ela toda preocupada nos perguntou: vocês estão sendo bem servidas? Minha irmã com toda convicção do mundo: Claro! Vocês acham que realmente iríamos falar que não? Esse é um dia tão sonhado pela maioria das mulheres, planejado com muita antecedência e todas querem que tudo ocorra conforme gostariam. Não, nós não tínhamos esse direito, só iria colocar a coitadinha mais nervosa.
Voltando para os comes e bebes (escassos…) um garçom nos serviu um pratinho com salgadinhos e outros passavam para completar com novos salgadinhos. Perguntamos delicadamente para um deles: Boa noite, por favor, qual é o recheio? E ele na sua mais fina classe, com uma cara nem um pouco agradável, nos respondeu: Não faço a mínima idéia! Dava para se notar que ele estava muito empolgado de estar ali trabalhando num domingo de sol maravilhoso como fez esse dia.
Depois disso, não demoramos muito a ir embora, pois meus pais, coitadinhos, assistiram a um filme de terror (era o único que passava naquela hora), para passar um pouco do tempo, enquanto estávamos no casamento. E durante esse tempo todo eles andaram de um lado ao outro no único piso do shopping Bangu. Já tinham se sacrificado bastante.
Fomos embora umas 19:45, mais ou menos, pois o dia seguinte era uma segunda-feira e Bangu, realmente fica muito afastado de onde moro. Por falar em Bangu, esse bairro, me fez lembrar muito uma cidade do interior, pois as pessoas ficavam sentadas nas calçadas, com a porta de casa aberta, jogando conversa fora e vendo o movimento dos carros. Muito parecido com o município de Barra do Piraí, pelo qual passava muito quando criança.
Antes de irmos embora, claro, tinha a mesa dos doces!!! Delicadamente me aproximei dela e disse para a mocinha (já era meio velha): é que eu já estou indo embora, poderia comer um doce? Ela virou-se pra mim e disse: olha, a noiva ainda não jogou o buquê, então você pega um, disfarçadamente. Tudo bem, né, fazer o que… Depois disso nos despedimos, pois meus pais já nos aguardavam e fomos embora. Para completar o domingo, ainda tivemos que deixar uma colega que trabalhou com a minha irmã em casa, pois era perto, e ela só falava de doença e do filho maravilhoso que ela tinha. Aí, aí, ai… Ninguém merece.
Bom galera, é isso, desculpa a demora para postar esse texto, pois dependia da boa vontade da Eliane em me emprestar seu computador, e fica o aviso para os futuros noivos ou qualquer pessoa que queira fazer uma festa: não comemorem nesse lugar, Jardim do Casarão, na Rua da Fiação, em Bangu, pois o atendimento é péssimo.
Por Cristiane Barbosa, após história de Karina Borges
Obrigada Emerson pelo espaço e pela publicação do meu desabafo!
8 comments 4 Outubro, 2009
Neurônios Verdes Fritos
Salve galera do Eu no Gramado.com! Depois de algum tempo fora do ar, estou de volta para relatar a vocês uma outra aventura. No último fim de semana, fui escalado para ir até São Januário fazer a partida valida pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro da Série C, entre as equipes do Duque de Caxias e o Futebol Clube Paulista de Jundiaí, é aquele mesmo que derrotou o Fluminense na final da Copa do Brasil.
Antes de falar sobre o jogo quero esclarecer aos meus caros leitores que esta competição realmente existe e que não é só história de pescador, não. E que também pessoalmente sempre tive vontade cobrir essa competição para assim conhecer os lugares mais longínquos do nosso humilde país.
No dia do jogo pude acordar um pouco mais tarde pois já havia preparado na noite anterior o material que eu ia utilizar no jogo. Fiquei responsável por acompanhar a equipe de São Paulo durante o jogo e na pesquisa descobri coisas interessantes como: saber que o clube já estava para completar 100 anos e que também jogou a libertadores e derrotou o River Plate da Argentina por 2 a 1 no estádio Jayme Cintra.. eu hein ia morreu sem saber.
Voltando ao dia do jogo peguei o busu e fui para São Januário local do jogo saltei na avenida Brasil e peguei um atalho rapidinho já estava no estádio, ao passar pelo portão de entrada logo avistei a lanchonete do novo patrocinador do Vasco, o Habib´s, humm!! Fiquei logo pensando no final vai ser bom vai ter lanche regado assim como uma outra história publicada aqui em nosso blog (leiam EITA PAU PRA DA FORMIGA).
Entrei em no setor de imprensa e tiver que pegar o sinistro elevador para ir até as cabines, e olha quem disse que elevador é o veiculo mais seguro do mundo não conhece o ascensor do clube do Vasco. Puxei a porta e entrei no bagulho onde só cabem três pessoas e até o segundo andar ele sacudiu, cheguei até pensar que ficaria preso, outra pior que sacolejo do elevatório é que ele é a única saída das cabines para a terra firme se um dia houver uma epidemia de dor de barriga não quero nem ver. Lá em cima pude respirar o ar puro da nova presidência, diferente do clima pesado da administração anterior, falei com meus companheiros de equipe deixei minhas oferendas aos deuses para o bem estar da equipe (um biscoito Maria e um outro de Água e sal), me preparei, peguei o armamento e desci para a guerra.
Que delicia !!! Depois de um logo tempo sem pisar na grama eu tava de volta a pisar na verdinha, assim como eu que estava de volta também era o Paulista de Jundiaí que tava há quase três meses sem jogar e retornava justamente ao gramado onde o clube conquistou sua maior gloria a Copa do Brasil de 2005.
Pois bem antes do jogo começar fui atrás das escalações e me deparei com alguns (dois ou três) famintos repórteres devorando as informações. Falei com alguns repórteres de São Paulo e logo vi meus amigos aqui do Rio também chegando. Trocamos algumas piadas como de costume e seguimos para nossas funções. Passei a escalação para o resto da equipe e fui pra minha posição na ponta do gramado, ou pelo menos até onde o cabo do microfone deixava. No ponto onde fiquei dava a impressão que eu estava em plena praia de Copacabana em virtude do sol escaldante, peguei ate um bronze no lado direito do corpo.
Além do calor tive problemas com a posição do astro maior, em toda minha carreira não havia acontecido antes, a luz e claridade estavam contra os meus belos olhos verdes e isso me fez ficar um pouco confuso. Em certas horas não conseguia ver o número dos jogadores e perdia alguns lances tendo que improvisar. Além disso a “lua” na minha cuca já tava me causando alucinações e falhas, pois aconteceram lances com cartão amarelo e substituições que eu simplesmente não vi (um idiota mesmo) e deixei de informar. Lembro que tava ficando tão doido com os neurônios fervilhando que a camisa de um dos times de branca estava ficando em um tom de lilás que variava entre cor de abóbora e azul piscina.
O jogo chegou ao intervalo e como de costume fomos às entrevistas com os jogadores, consegui entrevistar um e passei a palavra e novamente o fiz, porém estava chegando ao ficar com a palavra pela terceira vez e enquanto o repórter ia finalizando a entrevista eu tratava de arranjar alguém para entrevistar e não fazer feio mas aconteceu uma coisa na qual nunca mais vou me esquecer pois cai do cavalo literalmente, quer dizer cai não fui derrubado por um FDP.
Com poucos segundos para entrevistar alguém percebi que os jogadores do banco de reservas e alguns indivíduos com roupas da comissão técnica vinham em minha direção então agi no instinto e pensei “o técnico”, eu sabia o nome dele porém não o conhecia pessoalmente (não temos a obrigação de conhecer todos. No site do clube não tem a foto dele..pow fala serio!). Foi então que a lição de vida tomou forma.
Ingenuamente perguntei ao goleiro reserva:
- Amigo, quem é o fulano (nome do técnico)?
Ele respondeu:
- É aquele ali de branco !!
Avistando somente um individuo com roupa branca (o único com uma roupa diferente do resto). Aproximei-me às pressas do individuo e NO AR falei:
- Aqui no gramado o técnico fulano de tal….quando rapidamente fui interrompido pelo dedo do cidadão balançando de um lado para o outro em gesto de negação dizendo para mim que ele não era quem eu pensava, ele não era o técnico.
Atordoado, tentei consertar meu erro e acabei fazendo um M maior. Com a cabeça quente por dentro e por fora passei a palavra e fui com toda ira de um repórter sacaneado e fudido de verde amarelo por um mau caráter tirar satisfações. Mas turma do deixa disso chegou e logo me fez perder o cara de vista, ainda bem o cara é goleiro grande pra caramba eu ia apanhar feio.
No intervalo não preciso dizer que eu estava “P” da vida alguns colegas foram solidários comigo, apesar da falha minha de não ter percebido que era o fulano técnico que estava no gol contrario ao qual eu estava.
O segundo tempo começou e sol foi baixando consegui salvar o trabalho melhorando um pouquinho a performance. O jogo acabou e a equipe da baixada fluminense venceu por 2×1 o Paulista de Jundiaí.
Fizemos os trabalhos finais e encerramos a jornada. Ainda lá embaixo vi o mau caráter passar e fui argumentar com ele:
- Hei cara porque você fez isso comigo? Seu #%$*(*&&..FDP %¨$%$%$ vai para a ¨&%¨&*¨**&
Ele não me deu muita idéia e se foi.
Quem também partiu foi este humilde cidadão que vos escreve. Fui até as cabine para pegar minhas coisas e lá no topo da colina avistei atrás do verde gramado atrás do gol a esquerda um objeto que parecia um anão de jardim….ai pensei,,,putz a estátua do Romário!!!
Desci e fui ver de perto…vai que a nova administração resolve retirar a homengem dalí…eu fui logo fazer um registro..(olha eu ai do lado do cara).
Saí de São Januário e parti para Niterói ate a casa da minha digníssima namorada que havia me ligado algumas vezes durante o dia. Chegando lá na terra de Araribóia meu ônibus ficou preso num incomum engarrafamento, e quando que eu achei que estava chegando no meu destino, desci do buzu e me deparei com nada mais nada menos que a Parada do Orgulho GLBT de Niterói, PARADA GAY DE NITEROÍ, A ARARIBOIOLA PQP !!!!
Porém consegui chegar ao meu destino ileso e voltar para casa contar para vocês mais essa aventura…abraços e até a próxima.
Diego Lopes
3 comments 9 Julho, 2008
Jogado pra escanteio
Era uma noite de clássico do futebol carioca no Campeonato Brasileiro. Dois times com grandes torcidas e muita rivalidade. O Maracanã, com certeza, já recebeu memoráveis jogos entre Fluminense e Botafogo. Estava no Grajaú e fui até de táxi para trabalhar num evento com tal importância. Confesso que queria muito chegar com antecedência para evitar problemas antes destacados nesse blog (lembra?). Mas acho que poucos olharam a partida por esse prisma.
Puxa… Juro que fiquei espantado com o vazio que dominava as ruas de acesso ao estádio. Para se ter uma idéia, pouco mais de uma hora antes do espetáculo iniciar, o “podrão” (cachorro-quente em outros lugares, menos nos arredores do Maraca e nas madrugadas pela cidade) estava sendo vendido pela metade do preço. Mesmo na promoção, quase ninguém comprou, pois não tinha torcedor para se deliciar com essa iguaria popular.
Naquele mesmo dia, estava acontecendo a final da Eurocopa 2008, que envolviam as seleções da Espanha e Alemanha. Será que poderia ser o motivo da ausência de platéia? Com certeza, não… A resposta é clara. As péssimas campanhas dos clubes na maior competição nacional. Até a expectativas dos tricolores com a histórica decisão da Libertadores, que estava se aproximando, não era bom apelo.
Então porque escrever uma crônica num jogo como esse? É simples. Esse espaço não é para comentários futebolísticos. Nosso objetivo é mostrar o trabalho de um repórter esportivo no gramado de um estádio. Mas a falta de torcida também parecia influenciar em causos interessantes para contar aqui.
Entretanto, aconteceu um fato que pode ser o marco nas minhas transmissões. Você não vai acreditar… Lembra o tanto que gastei minhas digitas escrevendo sobre problemas com o equipamento de retorno, que até o Dumbo não ouvia? Então… Como dizia o lendário Dadá Maravilha: “não me venham com problemática, que tenho a solucionática”. E foi assim. Consegui sanar o defeito sem precisar utilizar meus (pouquíssimos) conhecimentos de eletrônica, que foram passados na minha época de ensino médio na Escola Técnica Estadual Ferreira Viana (estudei dois anos de Eletrotécnica, mas, graças a Deus, não concluí). Porém, não foi tão fácil assim.
No início da transmissão, o defeito começou a me perturbar. Abaixava a cabeça, andava para um lado e para o outro, trocava o fone de posição, pulava numa perna só, rogava todos os deuses, ligava e desligava o aparelho e tudo mais. Até que no momento que já ia apelar para um duplo twist carpado, o som surgiu em meus ouvidos. Exatamente na hora em que era chamado para informar as primeiras notícias dos dois times. Depois, passei as escalações e até realizei algumas entrevistas. Meus pensamentos negativos estavam mesmo para quando iria me tornar os “olhos” dos meus ouvintes.
Com esse temor, fui andando até a posição que sempre fico: atrás do gol. O ruído ainda explodia no fone. Até que tive a “brilhante” idéia de ir me afastando ainda mais da cabine da minha rádio. Tinha tudo para dar errado. Se perto estava ruim, imagina longe? É… Mas, algumas vezes, o locutor esportivo Éder Luiz tem razão quando diz: “a sorte sorriu pra ele”. Pra mim, ela gargalhou.
Quando cheguei no limite do campo, bem ao lado da marcação de escanteio (aquela onde o Zico cobrou o córner na cabeça do Rondinelli, na final do Carioca de 1978), a narração veio à tona e de forma clara. Não acreditei. Achei até que poderia estar ouvindo outra transmissão, mas logo uma voz chamava: “detalhe da jogada, Emerson Rocha”. Essa era a resposta que queria para as minhas súplicas. Aí, meu trabalho fluiu com tranqüilidade e segurança.
É por isso que mesmo sendo jogado para escanteio, você pode ser feliz. Se quiser, fique com esse ditado: “Até um chute no traseiro pode ser bom, pois te joga pra frente”. E tenho dito.
Emerson Rocha.
2 comments 2 Julho, 2008

